segunda-feira, 21 de novembro de 2016

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Nossa nova página: http://unidadeclassista.org.br

ACESSE

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Tarefa dos Revolucionários no Movimento Sindical

Paulo Cesar De Biase Di Blasio*
O quadro atual do movimento sindical é de refluxo. Com 11 milhões de desempregados, as lutas econômicas estão em acentuado descenso. Mesmo em categorias numerosas e bem organizadas, as greves são derrotadas, não conseguindo nem a reposição da inflação. As lutas econômicas isoladas são incapazes de derrotar os ataques do governo da burguesia e do imperialismo. Diante da crise sistêmica do capitalismo, a burguesia, como sempre, quer que os trabalhadores paguem pela sua crise. O ataque do Capital se mostra amplo, isto é, atingirá toda a classe trabalhadora. A luta contra os ataques do governo Temer passa necessariamente pela luta política. A luta de classes no país tende a subir a patamares nunca atingidos. E somente a luta unitária e de massas poderá barrar e derrotar esses ataques. Mas para que isso aconteça é necessário cumprir algumas tarefas. 

Para enfrentar essa situação crítica, uma das tarefas dos revolucionários é superar uma deficiência histórica do movimento sindical brasileiro: a organização por local de trabalho. Sem ela, a luta econômica é fraca e defensiva, ficando nos limites da espontaneidade das massas. E a luta política sem a organização por local de trabalho torna-se muito difícil, quase impossível. Em nossa história recente temos exemplos de momentos importantes da luta política – o Golpe de 64 e a Ditadura empresarial-militar – nos quais a greve geral não ocorreu ou obteve fracos resultados em virtude da débil ou inexistente organização por local de trabalho. Não é à toa que a burguesia não aceita a organização dos trabalhadores nos locais de trabalho. Ela tem consciência do perigo que isso representa – afinal, a burguesia está na luta de classes.

A burocracia sindical, subserviente ao capital, por motivos óbvios e por instinto de sobrevivência, não faz esse trabalho. No máximo, faz a cooptação de novos militantes, corrompendo-os com o aparato sindical. É evidente que não podemos contar com os dirigentes sindicais reformistas para essa tarefa.  Queremos, sim, a sua base, os trabalhadores. Por outro lado, organizações de esquerda procuram recrutar novos militantes que surgem dos movimentos grevistas e populares. Devido sua pequena inserção no movimento operário-popular, esses grupos, procurando visibilidade, atuam nos comitês, fóruns, comandos, ou seja, priorizam o trabalho de cúpula e não fazem o trabalho de base.

O trabalho de organização por local de trabalho é relegado a segundo, terceiro plano, ou mesmo, na maioria dos casos, não realizado. Esse trabalho não rende resultados imediatos, seus frutos geralmente aparecem a médio e longo prazo. É uma atividade que requer paciência e persistência, principalmente levando-se em conta o atraso político do movimento operário-popular brasileiro. É um trabalho que o “revolucionário pequeno-burguês radical”, por sua pressa, pouca firmeza e falta de determinação verdadeiramente revolucionária, é incapaz de realizar. 

Temos companheiros com muita experiência nas lutas sociais que estão desgarrados, desorganizados, que muito podem contribuir para a luta. Esses trabalhadores avançados, apesar de não terem a consciência de classe comunista, têm uma consciência política mais ampla, sabem dos limites da luta sindical, não tem ilusões quanto aos seus inimigos e são respeitados pelos demais trabalhadores, sendo uma referência para eles. Não podemos desconsiderar esses companheiros. Eles poderão contribuir para atrair a massa para a luta. A tarefa dos revolucionários é arregimentar os trabalhadores avançados no plano político-sindical com o objetivo de criar círculos, comissões e comitês por local de trabalho, para promover debates e divulgar propostas de ação para a categoria, sempre com o cuidado de preservar o grupo. 

A unidade das forças classistas é fundamental para enfrentar a conjuntura atual. Independentemente de posições políticas diferentes e evitando hegemonismos, devemos, através da organização por local de trabalho, construir uma frente única nas fábricas, empresas e escolas para enfrentar e derrotar os ataques do governo. Sem dúvida, é um passo importante para avançarmos na construção de um bloco anticapitalista e anti-imperialista.

* Professor da rede estadual em Nova Friburgo/RJ

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

O papel do Sinasefe na atual conjuntura



Depois de transcorridos seis meses de governo ilegítimo de Michel Temer (PMDB/PSDB) as suas promessas feitas para a burguesia estão sendo celeremente implementadas. Neste curto período, o usurpador já conseguiu aprovar em dois turnos na Câmara a PEC 241/55, “PEC da Morte”, aproveitando-se do fisiologismo que impera no Parlamento brasileiro e da pressão dos setores empresariais. Em seguida à PEC, as pretensões são aprovar as reformas previdenciária e trabalhista, o que no conjunto representará para as condições de vida dos trabalhadores um retrocesso para o momento pré-constituinte de 1988 no que tange à proteção social estatal e ao período pré-CLT de 1943 em relação ao regramento da compra e venda da força de trabalho.
A aprovação do limite para os investimentos sociais – sem qualquer limitação para os gastos com a dívida pública – imporá uma radical alteração nos serviços públicos brasileiros nos próximos anos. Os mecanismos de terceirização expandidos durante os anos dos governos de conciliação de classe (PT/PMDB) serão generalizados ao máximo, com forte tendência ao fim da educação pública como direito de todos e um dever do Estado, abrindo-se caminho para o fim da gratuidade e mesmo de demissão de servidores públicos.
Brasil afora as bases do SINASEFE tem mostrado a disposição para a mobilização e a luta contra o governo golpista e suas medidas, em especial a PEC 241/55. O debate sobre os efeitos dessa medida tem sido feito a exaustão junto aos servidores, aos alunos e aos pais, contribuindo para difundir uma perspectiva contra-hegemônica à PEC, à contrarreforma do Ensino Médio, às reformas e ao governo golpista em si. Uma geração de novos ativistas tem despontado nestes últimos meses diante da gravidade da situação, todos dispostos a travar o duro embate contra os anseios da burguesia rentista e da sua sanha sobre os fundos públicos.
Não por acaso, a fim de viabilizar a repressão aos servidores públicos em luta contra a tendencial extinção dos serviços públicos, no último dia 27 de outubro, o STF – coerente com seu papel central no golpe parlamentar, jurídico e midiático em curso – decidiu pela constitucionalidade do corte de ponto dos servidores em greve. Esta decisão é apenas mais um elemento da realidade concreta que demonstra a convicção da classe dominante em operar uma derrota histórica à classe trabalhadora brasileira.
A Corrente Sindical Unidade Classista entende que a realidade concreta é qualitativamente diversa da realidade que deu origem às últimas greves do SINASEFE, que se desenvolveram em períodos de relativa estabilidade econômica e política e que tinham por objetivo pautas econômicas (reajuste, carreira, condições de trabalho). Tais condições não são as mesmas desde 2015, dada a agudização da crise econômica e da crise política. Com a efetivação do golpe jurídico-parlamentar a classe dominante superou seu momento de indefinição institucional, unificando-se em torno do governo golpista e da sua disposição de criar um ambiente institucional escancaradamente antissindical para viabilizar os ataques. Nesta nova realidade concreta não se faz viável a reedição de táticas do período anterior: uma greve aos moldes de uma greve econômica tradicional não condiz com a magnitude do que se pretende enfrentar.
No entendimento da Unidade Classista, a conjuntura é grave e exige sim uma greve, mas que deve ser construída em unidade com amplos setores da classe trabalhadora. O momento pede a continuidade e a intensificação do trabalho de base junto aos mais diversos sindicatos e segmentos populares (movimentos sociais e estudantil), articulados em torno de Fóruns Estaduais/Municipais capazes de construir uma ação planejada e coerente. Deve-se explicar a conjuntura, seus perigos e as suas possibilidades para assim ampliarmos as mobilizações para o conjunto dos servidores públicos, dialogando e expandindo a unidade com os trabalhadores do setor privado. Há abertura na classe trabalhadora para o debate contra-hegemônico proposto pelo movimento sindical classista, mas este deve atuar de forma organizada a partir das bases. O acúmulo de forças se faz necessário para se derrotar o governo golpista.
Por isso reafirmamos a necessidade de construção da Greve Geral para derrubar o governo Temer e suas medidas. Obviamente esta necessidade histórica tem esbarrado na herança de 13 anos de apassivamento da classe trabalhadora e nas vacilações das direções de várias centrais sindicais que não constroem na base como deveriam. Esta realidade concreta exige dos ativistas a paciência para não se “queimar a largada” que pode surtir efeitos contrários aos esperados. Uma greve isolada do SINASEFE em conjunto com a FASUBRA corre o risco de sofrer um duro ataque do governo, do Judiciário e da mídia burguesa, logo agora quando a Rede Federal está sendo estigmatizada a fim de viabilizar a sua extinção.
Cabe ainda dizer às seções sindicais com greve já deflagrada da imensa necessidade de se construir uma mobilização que, de forma dinâmica e cotidiana, dialogue didaticamente com o conjunto da classe trabalhadora com o objetivo claro de fortalecer a possibilidade de uma Greve Geral.
Especial atenção deve ser dada pelo SINASEFE ao setor da educação, buscando não só sintonizar as iniciativas com o ANDES e a FASUBRA, mas também com os sindicatos nacionais e estaduais das redes estadual e municipal de educação e com os movimentos estudantis e sociais. 

NÃO À PEC 241 (PEC 55)!!!
NÃO ÀS REFORMAS DA PREVIDÊNCIA E TRABALHISTA!!!
PARALISAÇÕES E MOBILIZAÇÕES RUMO À GREVE GERAL!!!
TODO APOIO ÀS OCUPAÇÕES ESTUDANTIS SECUNDARISTAS E UNIVERSITÁRIAS!!!
FORA TEMER!!

domingo, 30 de outubro de 2016

Vem aí a nova página da Unidade Classista


Companheiros e companheiras,
Desde 2010 nosso Blog vem cumprindo a importante tarefa de divulgar notícias, opiniões e publicações em geral envolvendo temas de interesse da classe trabalhadora e suas lutas no Brasil e no mundo. Nestes seis anos, a Unidade Classista esteve sempre presente nas diversas trincheiras do movimento sindical e popular, contribuindo para a organização da nossa classe numa perspectiva anticapitalista. Temos muitos desafios a serem superados, mas é inegável que crescemos e avançamos em vários aspectos. Avaliando que a comunicação é uma dimensão importante nesse processo, estamos preparando um novo site, que muito em breve teremos a satisfação de anunciar.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Trabalhadores, é hora de contra atacar!

Coordenação Nacional da Unidade Classista




Paralisar a produção e tomar as ruas nos dias 11 e 25 de novembro.

Desde os primeiros momentos em que assumiu a Presidência da República através de um golpe parlamentar, Michel Temer tem deixado muito claro a que veio: acelerar e aprofundar a retirada de direitos dos trabalhadores e do povo em geral. O governo ilegítimo da maior máfia do país, o PMDB, expressa o fim do ciclo de governos petistas de conciliação e tem como objetivo central aplicar com mais velocidade e força a agenda empresarial que Dilma tentava mostrar-se capaz de continuar atendendo.

Temer, seus ministros e sua base no Congresso não passam de capachos designados pela burguesia para fazer o trabalho sujo de mudar a legislação no explícito sentido de: estrangular os salários da classe trabalhadora; estabelecer a mínima de 65 anos para a aposentadoria; facilitar que os patrões façam chantagens sem ter que respeitar as leis trabalhistas (CLT); congelar os investimentos públicos, como saúde e educação, por 20 anos!

Tudo isso em busca de aumentar a exploração dos trabalhadores e economizar dinheiro público para pagar juros infinitos aos banqueiros e especuladores! Se o governo tivesse como meta "equilibrar as contas", como querem nos convencer, não destinaria 367 bilhões de reais, quase metade do orçamento federal, em pagamento de juros a parasitas do sistema financeiro. Os gastos com a chamada dívida pública correspondem ao dobro do gasto com a Previdência, 11 vezes o gasto com educação e 12 vezes o gasto com saúde.

A burguesia e seus representantes no Executivo, Legislativo e Judiciário apontaram suas armas contra nós. A PEC 241 e as contrarreformas trabalhista e da previdência não podem ser entendidas de outra forma que não como uma declaração de guerra contra os direitos sociais e trabalhistas dos trabalhadores brasileiros. Nossos inimigos avançaram com a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional 241 pela Câmara dos Deputados. Conhecido como "PEC da Morte", esse pacote seguirá para o Senado.

Não podemos assistir parados à destruição dos nossos empregos, das escolas dos nossos filhos e das unidades públicas de saúde. Contra atacar imediatamente é uma questão de sobrevivência! Os estudantes já entenderam isso e estão ocupando mais de 1000 escolas, universidades e institutos federais em todo o país, em resposta às medidas de Temer.

A Unidade Classista convoca seus militantes e toda a classe trabalhadora a intensificar a participação nos sindicatos e movimentos de luta por moradia, contribuindo firmemente para a construção de protestos e paralisações por todo o Brasil nos dias 11 e 25 de Novembro. Não podemos confiar na maioria das direções sindicais, atualmente compostas por pelegos, burocratas e reformistas. Portanto o engajamento do campo classista e combativo será fundamental nesse processo.

Rumo à Greve Geral!

Unir as lutas para emancipar a classe.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

¿Qué está pasando en venezuela?

FEDERACION SINDICAL MUNDIAL
REGION AMERICA LATINA Y EL CARIBE
FÈDÈRATION SYNDICALE MONDIAL 
REGIÃO DE A AMÉRICA LATINA E CARIBE 
LATIN AMERICA & CARIBBEAN REGION 



DESDE VENEZUELA:
Mensaje recibido de: Amada García, Coordinadora de Asuntos Internacionales Central Bolivariana Socialista de Trabajadores CBST.

¿Qué está pasando en venezuela?

1. La derecha ganó la mayoría de la Asamblea Nacional (AN) en diciembre de 2015.

2.     Su principal objetivo desde que se instaló en el parlamento ha sido derrocar al Presidente
        Nicolás Maduro.

3.     Para ello, la derecha se tomó CUATRO meses debatiendo cuál debía ser el método para salir del
        Presidente, considerando al menos, los siguientes:
        Exigirle la renuncia, Enjuiciamiento, Declarar su incapacidad mental, Nulidad de las elecciones
        por ser colombiano, Enmienda y/o reforma constitucional para acortarle el periodo,
        Constituyente, Presión social en la calle, Referendo revocatorio.

4.     Recién a finales de abril, decidieron activar el proceso para solicitar un revocatorio. Al activar el
        mecanismo en abril y no en enero que era cuando se cumplía la mitad del periodo
        constitucional presidencial, a la derecha no le daba el tiempo de realizar el revocatorio en el año
        2016, debido a que los lapsos establecidos en la normativa que regula su activación y
        convocatoria, establecen un procedimiento que dura más 260 días.
         Hacer este referendo en 2017 implica que, de ser exitoso, quien completa el periodo del  
         Presidente revocado es su Vicepresidente Ejecutivo, lo cual conlleva a que un o una chavista
         complete el periodo presidencial hasta el año 2019.

5.     En estos meses, la Asamblea Nacional decidió desacatar las sentencias del Tribunal Supremo de
        Justicia que anulaban sus actuaciones inconstitucionales. Por mantener el desacato, el Tribunal
        decidió anular todos los actos de la AN hasta tanto no se ajuste a derecho y respete la
        Constitución.

6.     A pesar de todo, el Presidente Nicolás Maduro siempre ha convocado a la oposición a un
        diálogo nacional para resolver política y pacíficamente los conflictos.
        Para estos diálogos pidió la facilitación de la UNASUR con participación de los ex presidentes
        Rodríguez Zapatero, Martín Torrijos y Leonel Fernández.
        La derecha puso como condición la incorporación del Vaticano, lo cual fue concedido de
        inmediato por el Presidente Maduro.
        Todos los intentos de diálogo han fracasado hasta ahora debido a las contradicciones internas de
        la oposición.

7.     Para convocar el referendo, la derecha tenía que recoger en primer lugar, el 1% de las firmas del
        registro electoral, con el objetivo de legitimar las organizaciones políticas promotoras del  
        referendo. Al lograr este paso, tenían que recoger el 20% de las firmas del registro, según lo que
        establece la Constitución venezolana.

8.     La derecha debía recoger sólo 195.000 firmas para cumplir el requisito del 1%, sin embargo,
        consignó al CNE 1.957.779 firmas, de las cuales fueron identificadas en la auditoría donde la
        derecha y la Revolución estaban representadas, nada menos que 605.727 firmas fraudulentas,
        entre las que se encuentran:
10.995 personas fallecidas.
53.658 personas que no están inscritas en el Registro Electoral.
3.003 menores de 18 años.
1.335 personas inhabilitadas por delitos graves (homicidios, narcotráfico, robo, estafa, abuso sexual).
Más de 9 mil denuncias por usurpación de identidad se presentaron en todos los estados.


9.     A pesar de que el CNE encontró estas irregularidades, admitidas por la comisión que nombró la
        derecha para la revisión de las firmas, procedió a convocar para los días 26, 27 y 28 de octubre,
        el proceso de recolección del 20% de las firmas, haciendo la salvedad de que sometería los
        registros fraudulentos a una investigación judicial.

10.  El jueves 20 de octubre, siete tribunales nacionales de distintos estados de Venezuela, basados en
       denuncias de ciudadanos afectados, dictaron medidas cautelares ordenando al CNE que
       suspendiera todos los procedimientos que se generaron como consecuencia de la recolección del
       1% de las firmas, por haberse evidenciado la usurpación masiva de identidades.
        En cumplimiento de estas órdenes judiciales, el CNE suspendió la recolección del 20% de las
        firmas.

11.  La derecha reaccionó acusando al Gobierno del Presidente Maduro de haber dado un Golpe de
       Estado, pero eludió la responsabilidad de su dirigencia en el fraude del 1% de las firmas.

12.  El domingo 23 de octubre la Asamblea Nacional sesionó de forma extraordinaria, declarándose
       abiertamente en “rebelión” y acordó los siguientes puntos:
Declarar que el Presidente Nicolás Maduro dio un Golpe de Estado y quebró el orden constitucional, Solicitar a todos los organismos internacionales la aplicación de sanciones contra Venezuela, Denunciar en la Corte Penal Internacional a las rectoras del CNE y jueces que han suspendido el proceso revocatorio, Destituir a los rectores del CNE y magistrados del Tribunal Supremo de Justicia, Decidir sobre la supuesta doble nacionalidad del Presidente Maduro, a fin de destituirlo, Decidir sobre el abandono del cargo por parte del Presidente Maduro, a fin de destituirlo.

13.  Cuestiones a considerar:
¿Quién dio el Golpe a quién?
¿La derecha cometió fraude en la recolección del 1% de las firmas y el responsable es el Gobierno?
¿Busca la derecha justificar una intervención extranjera a gran escala con la excusa de la suspensión del revocatorio y de una supuesta crisis humanitaria?
¿Un parlamento en desacato judicial, puede destituir a rectores electorales o magistrados del máximo tribunal del país sólo porque velan por el cumplimiento de la Constitución y protegen a la nación entera de un fraude contra la soberanía popular?
¿No es acaso un Golpe de Estado que el parlamento pretenda desconocer todas las autoridades y las decisiones de los demás Poderes Públicos, además de buscar su destitución por vías no constitucionales?
La Cancillería de Colombia envió una nota oficial al Presidente de la AN informándole que en ninguna agencia de su gobierno habían registros de nacionalidad del Presidente Nicolás Maduro. ¿No es acaso un intento de Golpe de Estado pretender la destitución de un Presidente con tres años en ejercicio, acusándolo de ser nacional del país que lo había negado oficialmente?
Mientras se da la sesión en la AN, el Presidente Maduro está de gira por países OPEP y no OPEP concertando un acuerdo para estabilizar los precios internacionales del petróleo, base fundamental de la economía venezolana. ¿No es a caso una acción golpista buscar la destitución de un Presidente por abandono de cargo, cuando es público y notorio que está en pleno ejercicio de sus funciones como Jefe de Estado?
El pueblo en la calle defenderá su Constitución, su Revolución y su Presidente legítimo.




segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Qual o futuro da rede federal de educação profissional, científica e tecnológica?

Por
Gabriel Magalhães Beltrão 
Fabiano Duarte Machado
A Rede Federal, na atual configuração, completará em dezembro próximo oito anos de existência legal (Lei n° 11.892/2008), o que evidencia a sua juventude enquanto política pública, o que é agravado pelo fato de que entre a instituição legal e a efetivação da política existe um lapso temporal significativo. A despeito desta sua mocidade, a Rede Federal encontra-se seriamente ameaçada quanto a sua existência, seja por mecanismo de desidratação financeira (morte paulatina por inanição) ou mesmo por extinção legal. Esses dois mecanismos podem e devem ser usados simultaneamente para se atingir o objetivo final. O presente texto tem o objetivo de contribuir com a elucidação das razões econômicas e políticas que embasaram o surgimento da Rede Federal, expondo a função social que orientou a sua origem e seu curto desenvolvimento, função esta que tem se tornada obsoleta no ciclo econômico e político atual, cujo escopo reside na extinção esta política pública em benefício do setor privado da educação.

PRESSUPOSTOS CONCEITUAIS E ANTECEDENTES HISTÓRICOS DA REDE FEDERAL

Correndo o risco de aligeirar as mediações, e cair nas tentações de uma armadilha de um esquema simplista de causa e efeito, tentaremos expressar os nexos e as conexões existentes entre os momentos decisivos do desenvolvimento econômico e do movimento da luta das classes trabalhadoras no Brasil e as mudanças nas políticas de educação técnica profissional.Ressaltando que como se trata da entificação do capitalismo numa sociedade com as particularidades brasileiras (origens no trabalho escravo, no latifúndio e na dependência), uma das tarefas mais difícil é explicar as mediações entre os momentos de modernização das forças produtivas e o Estado, entre a luta por reivindicações das classes subalternas e a cooptação política, entre o transformismo dos movimentos sociais e a construção do poder popular. 


quinta-feira, 20 de outubro de 2016

PEC 241: mais um ataque do Estado burguês sobre os direitos dos trabalhadores

UC-SC



“O estado é um produto do antagonismo inconciliável das classes”
(Lênin)
A sociedade capitalista em que vivemos não se caracteriza apenas pelas relações de exploração que são instituídas, mas também pela regulação dessas relações. O convívio entre exploradores e explorados nunca será um convívio pacífico. O interesse dos patrões é de sempre lucrar mais sobre o suor dos trabalhadores e, historicamente, os trabalhadores sempre resistem a esses avanços dos patrões. Dessa forma, as relações sociais na sociedade em que vivemos são sempre relações conflituosas e, nesse sentido, há a necessidade de uma entidade mediadora. O nome que damos a essa entidade é Estado.

Há quem pense que a principal tarefa do Estado é prover serviços à população, mas isso não é objetivamente uma verdade. A principal característica de todas as formas de Estado que já existiram é a existência de um aparato repressor forte, a ser utilizado pela classe dominante contra as classes exploradas. Ou seja, em última instância, o Estado existe para manter o poder aos poderosos e a exploração aos explorados. Em outras palavras, ordem para o povo e progresso para a burguesia.

Com o Estado brasileiro não é diferente. Nesse momento fica claro à que interesses esse Estado serve. A PEC (Projeto de Emenda à Constituição) 241, apresentada pelo governo golpista e ilegítimo de Michel Temer retira da população direitos básicos, como saúde e educação, e repassa esses recursos à burguesia especulativa que detém os chamados “títulos da dívida pública”.

A justificativa desse governo é a pretensa necessidade de “equilibrar as contas”. Atualmente há de fato um grande desequilíbrio nas contas do governo, quase metade de toda a arrecadação da União vai para o pagamento dessa dívida. Dívida essa que ninguém pode afirmar com certeza quem são os credores e que, mesmo sendo paga religiosamente desde a ditadura militar, ela continua a aumentar. Enquanto isso, os investimentos em saúde ficam em média com 4% e a educação com 3,7% do orçamento. Então, o desequilíbrio das contas públicas é real.

Porém, a PEC 241 não atinge em nada esse desequilíbrio, pelo contrário, aumenta ainda mais a diferença naquilo que é gasto com a população e aquilo que é gasto com a burguesia. Trata-se de uma emenda à constituição que derruba os percentuais mínimos a serem investidos em saúde e educação. 

Atualmente a constituição obriga que 18% de toda a arrecadação sejam aplicadas em educação e 12% em saúde, dessa forma se a tributação crescer, crescem também os investimentos. Com a PEC 241 essa obriga acaba e mesmo que a arrecadação aumente, os gastos com saúde e educação ficam com a mesma quantia durante 20 anos. Enquanto o excedente vai para o pagamento da dívida. Ou seja, se na balança os poderosos levavam quase metade, o governo Temer acha que isso ainda precisa aumentar e para isso irá tirar o pouco que ainda é investido para a população.

A Unidade Classista reafirma a necessidade de superação da sociedade capitalista e do Estado burguês. Não podemos ter a ilusão de que esse estado pode ser reformado para atender aos interesses dos trabalhadores. É preciso que a classe trabalhadora construa seu próprio estado através da sua organização nos locais de trabalho, estudo e moradia. O Estado burguês sempre atenderá aos interesses da burguesia, é necessário construir o Estado proletário para atender aos interesses dos trabalhadores.

Nesse sentido, conclamamos todos os trabalhadores e trabalhadoras à construir a Greve Geral contra a PEC 241 e todos avanços da burguesia sobre os direitos dos trabalhadores. Reafirmamos também a necessidade de organização nos locais de trabalho, estudo e moradia no sentido da construção do Poder Popular para suplantar o Estado existente e criar o Estado dos trabalhadores.

Contra a PEC 241! 
Contra o ajuste fiscal!
Pelo Poder Popular!
 Construir a Greve Geral!

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Reforma do Ensino Médio: mercantilização e destruição da educação pública



Parte da população brasileira recebeu com assombro o anúncio da Medida Provisória (MP 746/16) de reformulação do Ensino Médio encaminhada pelo governo do usurpador Temer ao Congresso Nacional. Este assombro se deveu ao caráter arbitrário de imposição de tal reforma através de MP e também o conteúdo dela que, sob o discurso “modernizante” da educação, restringe o acesso ao conhecimento dos estudantes na Educação Básica, assim como aprofunda a prioridade da formação escolar para subserviência ao mercado de trabalho.

A contra-reforma do Ensino Médio, muito bem analisado por Fábio Bezerra , descortina um aspecto importante para compreensão do recente processo de troca de gerência do Estado subordinado à burguesia. Desde 2013 tramita no Congresso Nacional o PL 6840/2013, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT) que coordenou uma comissão de reformulação do Ensino Médio capitaneada pelo Ministério da Educação no Governo Dilma. Em que pese algumas diferenças, as bases e fundamentos da proposta são as mesmas da MP do Governo Temer: o aprofundamento da mercantilização da educação.

A origem desta reforma educacional, assim como as demais políticas educacionais dos últimos governos, referem-se à subordinação brasileira ao Banco Mundial que dita as regras da produção de força de trabalho aligeirada e desqualificada para a superexploração no mercado. No documento “Estratégias para Parceria - Brasil e Banco Mundial 2012-2015”, estão expostas os termos de convênio que o Governo Dilma, à época, estabeleceu com o Banco Mundial que, dentre outras coisas, aponta uma série de modificações no sistema educacional brasileiro inclusive o Ensino Médio para que seja voltado ao mercado .

Mercado este que se configura através das precárias relações de trabalho e alto índice de desemprego, podendo ainda piorar mais se aprovadas as contrarreformas trabalhista e da previdência já anunciadas pelo Governo Temer. O próprio Ministro da Educação Mendonça Filho afirma explicitamente esse atrelamento na justificativa da MP: “Um novo modelo de ensino médio oferecerá, além das opções de aprofundamento nas áreas do conhecimento, cursos de qualificação, estágio e ensino técnico profissional de acordo com as disponibilidades de cada sistema de ensino, o que alinha as premissas da presente proposta às recomendações do Banco Mundial e do Fundo das Nações Unidas para Infância – Unicef”.

Além do caráter arbitrário de imposição de uma MP, os aspectos mais problemáticos da Reforma do Ensino Médio dizem respeito a desqualificação da formação dos estudantes no Ensino Médio, na medida em que apontam um caráter flexível da formação em que determinados conhecimentos, especialmente da área de Ciências Sociais e Humanas, são descartáveis para a lógica de mercado (retirar a obrigatoriedade de áreas como Sociologia, Filosofia, Artes e Educação Física no Ensino Médio é um destes exemplos), assim como estabelecer como central a preparação dos estudantes para o ENEM retrocede em diversas outras perspectivas de formação construídas na autonomia das comunidades escolares. A possibilidade de contratação de professores e professoras sem formação pedagógica ou sem cursos de licenciatura também demonstram que a intenção não é melhorar a qualidade da formação, mas tratá-la exclusivamente sob os auspícios do mercado, das demandas de mão de obra cada vez mais precárias.

Está em curso um grande retrocesso intelectual nas instituições de ensino do país prejudicando as novas gerações, cabendo à classe trabalhadora e a juventude enfrentar no conjunto das lutas sociais, também mais esta medida que destrói nossos direitos.

Nesse sentido, é fundamental estabelecer outro patamar de enfrentamento à lógica do capital, fazer a disputa ideológica, organizar as lutas sociais com um horizonte em que superemos no seio da classe trabalhadora as perspectivas de conciliação de classe, superar as ideias de humanização do capital, construir outra perspectiva de poder que não passe somente pela ordem institucional burguesa, construir, mais do que nunca, o Poder Popular.

Neste momento da conjuntura, ampliar e fortalecer as ocupações de escolas, universidades e institutos federais, potencializando a perspectiva de Greve Geral e a urgente necessidade de um Encontro Nacional da Classe Trabalhadora (ENCLAT) para organizar as lutas sociais na perspectiva de ruptura com o capitalismo.


FORA TEMER
CONTRA A REFORMA DO ENSINO MÉDIO
CONSTRUIR O ENCLAT
PELO PODER POPULAR





[1] Conferir: https://pcb.org.br/portal2/12160
[1] http://documents.worldbank.org/curated/en/636941468020041415/Brasil-Estratégia-de-parceria-de-pa%C3%ADs-para-el-per%C3%ADodo-de-2012-15



domingo, 9 de outubro de 2016

A reforma de Temer (ou a destruição do ensino médio).


Anderson Tavares (C.B - U.C -RJ)



A maioria do povo brasileiro foi surpreendido na última semana com a imposição de uma reforma no ensino médio. Não que devêssemos esperar o contrário de um governo oriundo de um golpe parlamentar, mas a ausência de diálogo assustou a todas as entidades que vinham participando das mudanças que vem ocorrendo nos últimos anos em todos os níveis da educação.
Além de uma profunda crítica a Medida Provisória, será necessário muita organização e luta dos trabalhadores da educação, estudantes e de toda a classe trabalhadora que tem mais um direito sendo roubado.
A reforma vem escondida em duas medidas que parecem ser positivas: o ensino em tempo integral e a possibilidade de aprofundamento dos estudos em áreas de interesse dos estudantes. No entanto, seria muito mais lógico começar a implantar o tempo integral no ensino fundamental que é o grande funil do ensino brasileiro, principalmente no final do segundo segmento. Já o aprofundamento dos estudos em áreas de interesses dos alunos seria muito bem-vinda sem que isso significasse a retirada dos conteúdos hoje obrigatórios. São esses conteúdos que são cobrados nas provas de acesso às universidades e que permitem a alguns jovens da classe trabalhadora ingressar nas melhores universidades do país. 
A MP da reforma coloca um limite de 1200 horas, ou seja, metade da carga horária atual (2.400h em 3 anos) para a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Essa limitação implica que mesmo seja implementada o tempo integral, tudo que hoje é ensinado em 3 anos ou 2400h, será limitado a, no máximo, 1200h. 

A alteração no art. 36 LDB, através da inclusão do inciso 6o: 

§ 6º A carga horária destinada ao cumprimento da Base Nacional Comum Curricular não poderá ser superior a mil e duzentas horas da carga horária total do ensino médio, de acordo com a definição dos sistemas de ensinos.

Sobre a BNCC, ainda não há uma definição sobre como será finalizada. O processo de discussão foi duramente criticado por vários setores da educação. Foi iniciado durante o governo Dilma e durante o processo foi paralisado em função do golpe institucional contra a presidente.

Art. 36. O currículo do ensino médio será composto pela Base Nacional Comum Curricular e por itinerários formativos específicos, a serem definidos pelos sistemas de ensino, com ênfase nas seguintes áreas de conhecimento ou de atuação profissional:
I - linguagens;
II - matemática;
III - ciências da natureza;
IV - ciências humanas; e
V - formação técnica e profissional.

O aluno que escolher qualquer um dos itens específicos terá contato com o conjunto de conhecimentos do ensino médio apenas em metade do ensino médio, ficando mal preparado para as provas de seleção no ensino superior das melhores universidades que demandam um conhecimento do conjunto dos conteúdos do ensino médio. Além disso, é no 3o ano do E.M. que os estudos são mais determinantes no sucesso dos alunos nas provas de seleção.
A seguir temos o ponto da reforma que redefine o modelo do ensino médio. Se durante as três últimas décadas lutamos para construir um modelo universalista contra aquele da ditadura militar voltado apenas para o trabalho e formação da força de trabalho.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Saudação da Unidade Classista ao XVII Congresso da FSM (Federação Sindical Mundial)






SAUDAÇÃO DA UNIDADE CLASSISTA AO XVII CONGRESSO SINDICAL MUNDIAL

A Unidade Classista saúda as entidades e sindicalistas presentes neste XVII Congresso Sindical Mundial, cumprimentando a Federação Sindical Mundial  (FSM) pelo esforço de reunir a classe trabalhadora e fortalecer o enfrentamento ao capitalismo. Estivemos presentes em outros eventos, mas este é o primeiro em que participamos como entidade filiada à FSM, o que muito nos honra na perspectiva da construção do internacionalismo proletário.

Esse Encontro se realiza num momento muito complexo e difícil para os trabalhadores e trabalhadoras do mundo inteiro. O aprofundamento da crise do sistema capitalista se alastra e atinge todas as economias ligadas ao imperialismo. Para manter e ampliar as taxas de lucro, a estratégia da burguesia tem sido aplicar as medidas de austeridade que retiram direitos trabalhistas e sociais e aprofundam a precarização do trabalho; o assalto ao fundo público através da privatização e a perpetuação da dívida pública como principal mecanismo de lucratividade no sistema financeiro especulativo.

Além das altas taxas de desemprego, tais medidas tem aumentado a concentração de renda, na qual 1% dos mais ricos possuem mais que 99% da população mundial e, ainda, intensificam outra face do capitalismo: a generalização da barbárie. Não somente através das medidas econômicas, mas impulsionando movimentos que aprofundam as mais diversas formas de opressão racista, machista, homofóbica e xenofóbica, impondo legislações que cerceiam o direitos dos trabalhadores e trabalhadoras imigrantes de buscar melhores condições de vida e sobreviver aos conflitos promovidos pelo imperialismo na Europa, Oriente Médio, África e Haiti.

O caráter desigual e combinado do capitalismo alterna as formas de gestão do Estado burguês, em que a perspectiva social-democrata, muito útil para a burguesia em determinados momentos – pois aumentam o acesso ao consumo e operam a lógica da conciliação de classes –, se intercalam com perspectivas mais neoliberais de ataques generalizados aos trabalhadores e trabalhadoras. Tais disputas inter-capitalistas inclusive lançam mão de forças militares para imposição de seus interesses, como exemplo da recente tentativa de golpe militar da Turquia e as permanentes guerras nos países árabes.

Para enfrentar o retrocesso civilizatório em curso, por diversas partes do mundo a classe trabalhadora tem organizado mobilizações ou greves gerais contra o ajuste neoliberal e as medidas de austeridade que destroem os direitos sociais da população. Destacamos as lutas sociais na França e na Grécia, que demonstram que os governos de conciliação de classe não são alternativas para os trabalhadores e trabalhadoras. Esses movimentos apontam numa perspectiva de acirramento da luta de classes à medida que a crise mundial se aprofunda.

Na América Latina, o imperialismo está realizando uma poderosa ofensiva, inclusive com a construção de bases militares em vários países da região, para alastrar a subordinação dos países à política neoliberal e as medidas de austeridade para ampliar a exploração do trabalho e a lucratividade do capital. Nas últimas décadas, tivemos um ascenso de governos progressistas que buscaram impor medidas reformistas, garantindo uma certa estabilidade de emprego e acesso ao consumo. Essas iniciativas, apesar de ainda estarem nos marcos do capitalismo, deixaram profundamente incomodados o centro do imperialismo.

Mas a ofensiva imperialista não pode nos impedir de realizar um balanço dos governos progressistas na América Latina. A maioria desses operou, na prática, políticas que fortaleceram os interesses do grande capital, apesar de realizarem algumas medidas de compensação social. Estes governos, em alianças com a burguesia, se utilizaram da cooptação do movimento operário e popular e do apassivamento da classe trabalhadora para aplicar as políticas do capital.

No que se refere à Venezuela, Bolívia e Equador, onde a mobilização popular permitiu a tomada de medidas para a garantia da soberania nacional com viés anti-imperialista, o resultado desses processos não estabeleceu transformações sociais mais profundas. À medida em que não avançaram no controle da economia e da radicalização do poder popular, com a estatização dos setores estratégicos e o controle das decisões pelos trabalhadores e trabalhadoras, terminaram abrindo espaço para a rearticulação da burguesia que, em aliança com o imperialismo, esté colocando em perigo as conquistas até então realizadas.

No Brasil, o Partido dos Trabalhadores (PT) operou um pacto político e social que, por mais de treze anos, favoreceu muito mais o grande capital do que os trabalhadores e trabalhadoras. Não poderia ser diferente, uma vez que sua experiência no governo buscou a administração do capitalismo, e não sua superação. Ainda assim, a burguesia e o imperialismo decidiram descartá-lo e constituir um governo “puro sangue”. Esse processo ocorreu em função do agravamento da crise mundial e suas repercussões no Brasil, da necessidade de acelerar a destruição dos direitos sociais e trabalhistas que o governo realizava de forma mais lenta, além do fato de que o PT já não estava conseguindo mais controlar os movimentos de massas: desde 2013 amplos setores da juventude e do proletariado realizaram grandes manifestações à revelia das burocracias cooptadas pelo governo.

Através de manobras parlamentares, midiáticas e jurídicas operada pela burguesia, Dilma Roussef (PT) foi afastada da Presidência da República. Estamos agora diante de um governo ilegítimo e usurpador, que está implementando um ataque brutal à classe trabalhadora. O governo Temer, do PMDB (ex aliado principal do PT) congrega os partidos mais conservadores e reacionários, sendo composto por corruptos e pela oligarquia industrial e financeira. Já anunciou que irá endurecer as medidas de ajuste fiscal para garantir a manutenção do mecanismo da dívida pública que já consome mais da metade do orçamento nacional. Dentre estas medidas, estão em marcha projetos que destroem o serviço público, os direitos trabalhistas – incluindo a ampliação da jornada de trabalho e o trabalho terceirizado –, reforma da previdência que aumentará a idade mínima de aposentadoria e ampliação das privatizações.

O grande imperativo dessa conjuntura complexa no Brasil é a reorganização da esquerda revolucionária e do movimento sindical e popular classista, no sentido de potencializar a greve geral no país para barrar os ataques e consolidar um novo ciclo de lutas sociais. E, para além de unificarmos as marchas, as campanhas e as ações de resistência, o movimento sindical, popular e classista precisa convergir em um novo Encontro Nacional da Classe Trabalhadora, para a construção de uma plataforma política comum, capaz de expressar a reorganização do proletariado brasileiro, unificando as lutas contra o capitalismo e o imperialismo.

Esse contexto brasileiro, em essência, é expressão da dinâmica mundial da luta de classes, na qual a unificação das lutas sociais de caráter anti-imperialista, anti-capitalista e socialista se faz cada vez mais necessária.

Unificar as lutas para emancipar a classe no mundo todo!
Ousar Lutar, Ousar Vencer!


Durban, África do Sul, 5 de outubro de 2016





VERSÃO EM INGLÊS

Abertura do XVII Congresso da Federação Sindical Mundial








Momento emocionante no primeiro dia do XVII Congresso Sindical Mundial.

Interrompendo por alguns instantes a formalidade do Plenário, trabalhadoras e trabalhadores Sul africanos entoam canções históricas de luta contra o racismo.
Nesse ambiente de resistência popular, compromisso aintiimperialista e internacionalismo proletário a Federação Sindical Mundial, começa, na cidade de Durbam, o Congresso que consolida uma alternativa internacional de solidariedade entre a classe trabalhadora e os povos do mundo no enfrentamento ao capitalismo. 

Unidade Classista Presente!





quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Em estudo, Dieese aponta impactos negativos da PEC 241


Com o projeto, governo federal teria investido metade do que foi aplicado na educação desde 2002, mostra simulação
   PEC proposta por Temer também vai atingir o funcionalismo público

 e quem depende do reajuste do salário mínimo / Beto Barata/PR
O Dieese lançou neste semana uma simulação de como seriam os investimentos feitos pelo governo federal na saúde e educação, caso a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241 estivesse em vigor desde 2002. Segundo o estudoo governo federal teria investido 47% menos em educação do que investe atualmente, totalizando 377 bilhões de reais. Na saúde teríamos menos 26%, quase R$ 300 bilhões a menos.
A PEC 241, que o presidente Michel Temer enviou ao Congresso Nacional em junho, impõe congelamento por 20 anos dos gastos da União. A medida limita as despesas primárias aos equivalente aplicado no ano anterior corrigidos apenas pela inflação.
"A maior despesa do orçamento público é com a dívida. São os juros e a amortização da dívida, que beneficiam apenas o pequeno número de pessoas que são os detentores da dívida pública", afirma a coordenadora de Pesquisas e Tecnologia do Dieese, Patrícia Pelatieri.
Patrícia lembra que em 2015 o serviço da dívida correspondeu a 6,7% do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de tudo que o Brasil produziu no ano. Para comparar, os investimentos em áreas como saúde, educação e infraestrutura foram menos da metade do que foi gasto somente com o pagamento dos juros.
A PEC 241 também vai atingir o funcionalismo público e quem depende do reajuste do salário mínimo, como aposentados e pensionistas. "Os salários poderão ser congelados. É uma PEC que ela limita a concessão de benefícios que estão no plano de carreira de conjunto do funcionalismo, então significou o arrocho no conjunto do funcionalismo", diz o presidente da CUT-SP, Douglas Izzo.
"Não é feito nenhum debate por parte do governo Temer de criar novas possibilidades de arrecadação, como a taxação das grandes fortunas, a construção de instrumentos que arrecade sobre aqueles que têm muito no país e que não pagam imposto. Rico, no Brasil, não paga imposto."
Douglas Izzo diz que para evitar mais esse retrocesso do governo Temer, a CUT fará mobilizações. "Nós estamos também fazendo um trabalho de diálogo com os deputados federais nos seus estados e pediremos para que votem contra essa PEC."
Assista:

NOTA POLÍTICA SOBRE O IX CONGRESSO DO SINTRASEM



O IX Congresso do Sintrasem (Sindicato dos trabalhadores do serviço público municipal de Florianópolis) aconteceu durante os dias 1, 2 e 3 de Setembro de 2016 em Florianópolis. Durante estes três dias foram debatidos temas como conjuntura política nacional e internacional, organização sindical, estatuto, finanças e plano de lutas. Um dos pontos mais polêmicos do congresso foi a proposta de desfiliação da CUT defendida por nós da Unidade Classista.
A presente nota política se dá na intenção de melhor qualificar o debate político com os trabalhadores e trabalhadoras e não simplesmente tratar a questão da desfiliação do Sintrasem da CUT como “proposta derrotada” e “proposta vitoriosa” ao estilo torcida de futebol. Faremos alguns apontamentos sobre a questão da Central Única dos Trabalhadores:

A CUT foi fundada em 1983 no 1º Congresso Nacional da Classe Trabalhadora (CONCLAT) no dia 28 de Agosto do mesmo ano na cidade de São Bernardo do Campo (SP). Muitas correntes do PT passaram a fazer parte desse “novo sindicalismo”, na época forças políticas bastante radicalizadas e combativas, não a toa que em 1983 e 1984 o país viveu grandes mobilizações em torno da campanha pelas eleições diretas. No ano de 1990 o PCB decide por uma nova tática para a atuação sindical e em 1991 passa atuar dentro da CUT com a denominação de “Unidade e Luta”. Nesta época a corrente majoritária da CUT, a Articulação Sindical, apresenta uma proposta de um “sindicalismo propositivo”. Esta posição foi referendada no IV CONCUT em 1991. É também no IV CONCUT que a Central decide pela filiação na CIOLS (defendida pela Articulação), o que fragilizou ainda mais a participação e a influência dos comunistas que defendiam a filiação na FSM. É também na CIOLS que se filia a Força Sindical, pois é a Central mundial que mais se identifica com os objetivos dos países imperialistas e com a política de conciliação chamada de “livre iniciativa”. Diante da ofensiva neoliberal, o movimento sindical ficou cada vez mais recuado e a CUT adere a um “participacionismo ativo” e aos fóruns tripartites, permitindo a negociação entre governo, patrão e sindicatos em detrimento das lutas dos trabalhadores. A CUT passa a priorizar os acordos com a patronal ao invés das greves. São dessa época os acordos de bancos de horas e negociações de parcerias com empresas e câmaras setoriais. Nessa época vários acordos foram feitos com os governos Collor e FHC, o qual radicalizou os ataques contra a Classe trabalhadora como o reajuste do salário mínimo abaixo da inflação e as reformas administrativas da previdência, na ocasião a Articulação Sindical apostou todas as fichas em um acordo com o Governo Fernando Henrique Cardoso. As políticas de colaboração com o patronato se aprofundam ainda mais após a eleição de Lula (PT) em 2002. Há uma total acomodação da CUT mesmo frente aos brutais ataques à Previdência feitos pelo governo petista. Em uma Conferência Sindical realizada em 2006 na cidade de Praia Grande (SP) o PCB anuncia o seu rompimento com a CUT por entender que esta havia se tornado um braço governamental passando a atuar como um obstáculo e um freio para as lutas de classe e passando a construir a Unidade Classista, propondo um debate com os setores combativos do movimento sindical brasileiro, sem peleguismo ou conciliação de classes, política que hoje mostra toda sua decadência frente à atual conjuntura nacional.Lamentável, além da posição da Esquerda Marxista (corrente interna da CUT) que no congresso fez a linha do “bate e assopra”, é a posição da corrente CUT Independente e de Luta que em sua nota de avaliação do congresso escreve se referindo à Unidade Classista: “Os divisionistas, ignorando completamente a conjuntura adversa que atravessa o movimento sindical e dos trabalhadores no Brasil, como alternativa a desfiliação do sindicato da CUT, propunham manter o SINTRASEM, “independente” de central sindical, sem filiação sindical.”

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Técnicos-administrativos da UFRRJ conquistam jornada de 30 horas sem redução salarial





No dia 27 de setembro de 2016 os trabalhadores técnico-administrativos da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro conquistaram o direito às 30 horas semanais, em turnos contínuos e sem redução salarial, com aprovação unânime no Conselho Universitário. Esse resultado só foi possível a partir de muito trabalho do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da UFRRJ (Sintur-RJ) e da Comissão pelo estudo da viabilidade da implantação das 30 horas, instituída por meio de portaria da Reitoria, que implementou experiência-piloto na Pró-Reitoria de Graduação, dialogou com conselheiros, a categoria e a comunidade universitária. A disposição dos trabalhadores desta Pró-Reitoria foi fundamental para o sucesso do trabalho, expresso na ampliação dos horários de atendimento ao público – durante o horário de almoço e após às 17h – e na melhora incontestável na qualidade dos serviços prestados, identificada a partir de dados concretos.

Num cenário de PEC 241, PLP 257, contrarreforma da Previdência, ameaça de ampliação da jornada de trabalho para 12 horas diárias e de um conjunto de medidas que visam aprofundar a espoliação aos direitos sociais e trabalhistas e desmontar as políticas públicas, a conquista das 30 horas com turnos contínuos acena para a disposição de luta dos servidores públicos federais, não apenas para assegurar melhor qualidade de vida para si no controle de seu tempo de trabalho, mas também uma universidade pública que, em seu funcionamento, atenda às necessidades de estudantes e do público em geral. Aprovada essa política institucional, a batalha apenas começou, pois o avanço da implantação das 30 horas na UFRRJ dependerá da difícil correlação de forças interna na sequencia do trabalho da Comissão, marcada pelas contradições da tenebrosa conjuntura nacional, mas também pela disposição de luta por direitos e pela prestação de um serviço de qualidade de diferentes gerações de trabalhadores em educação.

Fernanda Fortini – Militante da Unidade Classista, Coordenadora Geral do SINTUR-RJ e membro da Comissão Permanente das 30h com turno contínuos e sem redução salarial na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

29/09 Fortaleza - Ato Unificado Rumo a Greve Geral

UC-CE

UNIR AS LUTAS, EMANCIPAR A CLASSE!

sábado, 24 de setembro de 2016

Dia Nacional de Paralisações e Mobilizações das Centrais no CE

UC
Em Fortaleza foi realizado a paralisação das centrais 
sindicais na luta contra os ataques do governo Temer

Durante a paralisação nacional das centrais sindicais, em Fortaleza foi realizado um ato na Praça do Carmo, com a presença das centrais CUT, CSP Conlutas e CTB, bem como de sindicatos das categorias da educação, saúde, bancários e construção civil, além dos partidos e organizações políticas (PSOL, PCB, PSTU, MAIS), todos unificados na pauta de luta pela manutenção dos direitos dos trabalhadores.

O ato foi realizado pela manhã, com a presença das diretorias sindicais e da base de trabalhadores da construção civil, da educação e da saúde. Confira nos vídeos abaixo as falas do PCB e da Unidade Classista.







segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Greves em tempos de crise: inconsequência?

Temos visto recentemente, com maior periodicidade em alguns meios de comunicação, patrões, representantes de governos e alguns jornalistas tentando incutir na opinião pública a ideia de que, em momentos de crise econômica, as greves e outras formas de luta dos trabalhadores são algo inconsequente e prejudicial a todos.
Esta fração da sociedade, ao fazer isto, tenta impor sua visão de mundo aos demais setores, com o objetivo de criar uma espécie de consenso para que todos, principalmente os trabalhadores, acreditem na mentira de que vivemos em uma sociedade onde patrões, governos e trabalhadores têm os mesmos interesses e que, durante as crises econômicas, próprias do modo de produção capitalista, todos são atingidos da mesma forma e com a mesma intensidade. Com base nesta tese, “todos” deveriam buscar a conciliação e evitar o conflito.
Tal posição tem, como único objetivo, constranger os trabalhadores, principalmente aqueles que, por falta de informação e formação, ainda não compreendem como funciona uma sociedade dividida em classes sociais, com interesses antagônicos, como a nossa, e quem representam os governos derivados deste tipo de sociedade.
Ao concordamos acriticamente com o discurso da conciliação de classes, colocamo-nos em uma posição cada vez mais desvantajosa em relação aos patrões, e abrimos caminho para a consolidação de suas políticas e de sua ideologia. As crises são próprias do capitalista, pois a produção, neste tipo de sociedade, é realizada sem planejamento, de forma anárquica; portanto, as crises são mais do que previsíveis, elas são próprias do sistema. De tempos em tempos, necessariamente ocorrerão, e os patrões e governos as utilizarão como álibi para contenção de nossas lutas por melhores condições de trabalho, salários e direitos, apostando em nosso desconhecimento e em nossos medos.
Ao olharmos para a história, principal fonte de conhecimento, descobrimos que as respostas dos patrões, durante estes momentos, continuam as mesmas: demissões, rebaixamento dos salários, intensificação do trabalho e, em muitos casos, a guerra. E quanto aos governos? Bem, em relação a eles, temos que fazer sempre a seguinte pergunta: quem os governos, em uma sociedade dividida em classes sociais, representam? Se representassem os trabalhadores, impediriam o desemprego, o rebaixamento de salários, a intensificação do trabalho e a guerra.
Não é à toa que, em tempos de crise, organizemos mais greves e mais manifestações, pois é justamente, nestes tempos, que os patrões e seus governos nos deixam claro que vivemos em uma sociedade com interesses antagônicos: demitindo, intensificando o trabalho, retirando direitos e reduzindo salários, em nome da manutenção de suas taxas de lucro e de seus interesses privados.
Sendo assim, a partir do nosso dia a dia, dos diversos ataques aos nossos direitos, das péssimas condições de trabalho, da ampliação das taxas de desemprego e da redução de nossos salários, é preciso que fique claro para todos e, principalmente para nós, trabalhadores, que as greves em tempos de crise são, lamentavelmente, necessárias.